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Calharam-me na rifa

     




De manhã:

Um senhor, que foi multado na sequência de uma fraude, diz-me o seguinte:
- Eu até nem queria dizer esta palavra: "fraude"... Não gosto muito. É uma palavra muito feia, assim forte, sabe?! 
Ao qual sem dó, remato:
- Sr. X, feio e forte é a atitude de quem a pratica.

Gente que tem a coragem de pratica-la mas não tem coragem para sequer pronuncia-la. 


De tarde:

Numa paragem do autocarro, uma senhora deita o lixo para o chão. Eu simplesmente, sendo cordial, apontei para o lixo dela e avisei-a. Fingiu não perceber à primeira, orgulhou-se à segunda, fiz-lhe um desenho porque ela não gostou à terceira, e à quarta vez já eu estava a apontar para o caixote de lixo (que se encontrava a 3 metros dela) após a senhora ter perguntado, com toda a arrogância, onde estava o caixote. Aquela mulher-orgulhosa-com-cara-de-quem-não-gosta-que-lhe-chamem-atenção, não apanhou. Ela saiu da paragem e foi caminhar para a paragem anterior. Quando o autocarro chega e a vejo sentada, fiz questão de sentar ao seu lado para que pudesse levar com a minha presença... Só para ela reflectir um pouco mais durante o caminho... sabem?! 


A modos que hoje foi assim... rifei-os a todos!


Progressos

   

É verdade que melhorei a olhos vistos, e vi a cara de satisfação de muitos... mas isso é porque esforcei-me imenso nas sessões de fisioterapia, e foi preciso motivação quando a recuperação é bastante agressiva. Tive sorte de apanhar um fisioterapeuta muito bom, que embora ele seja estagiário, é o melhor fisioterapeuta que já tive ao longo de 14 anos de problemas com o joelho.
Se fico contente por ele me ter ajudado bastante, o mesmo fico triste por saber que só falta mais uma sessão para ele terminar o estágio. Foi um mês de esforço, dedicação, preocupação e muito sentido de humor pelo meio... e é natural que fique triste por deixar de ter um bom profissional, que no final de contas também foi muito amigo para mim.  

Desvalorização

   

Há 8 anos que tenho a mesma turma, os mesmos rostos dos jovens que vi crescer. 
Motivação, bom senso, educação, partilha, amor... São um dos temas que fui dando e transmitindo em exemplo para poderem saber como devem estar na sociedade e em família; orienta-los na concretização.
Não levei muito tempo para atingir laços fortes com eles... São especiais, cada um á sua maneira. Nunca me canso de lhes dizer que para além de aprenderem comigo, também estou a absorver lições (exemplos) que retiro neles.
Tenho saudades deles.

Quando fui operada em Agosto não sabia se a minha recuperação permitia dar inicio a um novo ano lectivo, quando não se tem a certeza não se pode dizer muito, não é verdade? Há duas semanas, contactei a minha coordenadora a dar boas noticias de que estava a recuperar de forma significativa e que daí poderia estar com a turma do costume. Ontem informam-me que não vou poder ficar com eles, porque já tinham escolhido outra pessoa para substituir-me e não queriam estar a propor a ela outra turma... Sabem aquela sensação de faltar uma parte que vos torna incompletos? Eu sinto isso. Foi como se tivessem a rasgar o coração de forma lenta, a mesma forma que se rasga uma folha de papel. Simplesmente não queria acreditar. Nem falando com o superior o fez mudar de ideias... penso que para ele os 8 anos de esforço e muita dedicação não lhe é relevante. Choca-me saber que preferem não voltar a falar com a pessoa para iniciar outra turma, do que manterem uma pessoa que fez tanto e sobretudo por eles... 8 anos não é brincadeira. Com boa vontade tudo de consegue, e não era pedir muito voltar a estar com a mesma turma.
E sabem...? Não somos sequer renumeradas, dedicamos de corpo e alma a estes miúdos. E o mais forte são os laços que criamos. Nunca fico indiferente a cada mensagem ou contacto para saberem se eu estou bem, nem mesmo quando só pretendem dizer que têm saudades minhas e que gostam de mim. Acredito neles, acredito porque consegui fazer nestes 8 anos aquilo que muitas não conseguiram fazer: manter a mesma turma durante tanto tempo. Eles são uns miúdos fantásticos... Não é por acaso que são a melhor turma do mesmo ano, e um dos melhores de todos os anos.

Eles ainda não sabem. Quando souberem... não quero imaginar.

Falta de compreensão

  

Há pessoas que mesmo não tendo feito nada a nós, só pelas atitudes que demonstram, faz-nos crescer um mal estar de tal forma que por vezes salta-nos a tampa.
Numa sala de espera, quer num escritório, quer num edifício, clínica ou hospital acontece de tudo. Mas ontem ia mesmo saltar-me a tampa... Como todos sabem crianças e adultos com deficiência mental precisam de uma certa atenção, e todo o cuidado é pouco; mas caiem no erro se pensam que eles não sentem á flor da pele cada toque, beijo ou até mesmo a uma estalada. Só que há pessoas que não entendem isso, e são aquelas que mais amor deveriam dar. Vi uma mãe a dar chapadas só porque o filho tocou nos seus ténis, só porque se virou um bocado para o lado no intuito de ver as pessoas que estavam ao seu redor, a endireita-lo bruscamente mal ele mexia a cabeça ou o braço... Como se ela acha-se que ele não tinha o direito nem de respirar ou de estremecer. Eu só suspirava por todos os lados... a sorte dela é que fui chamada e não os vi mais. 

As visitas



Todos os dias eles estavam à minha espera, eram aos montes! Instalam as carrinhas onde querem e espaço não falta ao H.S.Maria. Até mesmo quando não estou, eles fazem questão de darem as boas vindas numa próxima visita que eu faça. Uns queridos! Tão queridos que até conseguiram RSI (Rendimento Social de Inserção) e fundos para cada identidade (cada um tem várias identidades falsas, ou como acham que eles recebem entre 3.000€ a 30.000€ por mês?). Tão unidos que não vai só a mãe, o pai, o tio... é a família toda!
Não acham fantástico este... apoio moral?

Ai, estes ciganos...

Pior mesmo é ver com os próprios olhos...


    
Eu tentei evitar os saldos por uma razão: a confusão da roupa espalhada... Não tenho vontade nenhuma de comprar nada devido a montes e montes de peças e produtos super amontoados que não dá sequer para ver... então se uma loja for pior que uma feira (roupa espalhada no chão) vou logo embora. Estes vídeos foram gravados no 2º dia dos saldos, no Sábado (o pior dia que poderia ter ido!) na loja Primark. Mal entrei vi algumas senhoras a ver freneticamente as roupas como se estivessem numa competição. "Isto está bonito...", pensei. Entretanto paro, deixo de lado o motivo pelo qual fui até lá, e observo por momentos o que está a minha volta: stress, pânico, gritarias, correrias, muita roupa espalhada, frustações... 
Ultimamente, os saldos para mim têm feito mais sentido num dia de semana e antes da hora de ponta! Não tem nada a ver!
  
Nunca estão completamente satisfeitos
   
   

Quando chegamos a uma certa idade, é quando as famílias (principalmente as mais tradicionais) nos chateiam tanto a cabeça para arranjar alguém, chegando ao ponto de eles próprios quererem escolher "o futuro" para nós. Entretanto, há outras que são mais originais ao arranjar um homem à força: colocando fotos das filhas na Internet como se fossem produtos do eBay, filmam enquanto elas estão no duche e colocam o vídeo no Youtube... "N" coisas que todas nós dispensamos! Quando finalmente temos alguém é que decidem chatear outra vez a 'mona' com o casamento - "Então e quando é que se casam?". Nada mais irritante que pressionarem! Eis que quando damos esse passo, não dou nem 3 meses e já estão a perguntar: "Então, e quando é que têm filhos?"...
    
Imagem de nós próprios
 

Maioria dos nossos 'velhos' não passam de simples desprezados pela sociedade. 
Saber que uma idosa de 80 e tal anos foi descoberta, na sua casa, 8/9 anos depois de morta... para mim foi a gota d'água. A família, os vizinhos, as autoridades, associações, assistentes sociais nada fizeram, e se por acaso mexeram um dedo para fazer algo, não foi o suficiente. Pessoas com interesse e preocupação nunca deixariam uma mulher morta durante 8/9 anos a apodrecer no chão da cozinha.
Foi preciso a idosa acumular 1500 euros de divida referentes ao condomínio e impostos do prédio, enquanto falecida, para as finanças se lembrarem dela e ir ao local. Isto sim é desumano!
   
   
Message


Muitos de nós temos o desejo de fazer tudo o que queremos ou algo que nos deixa satisfeitos, mas que nem sempre temos essa oportunidade. Eu tenho falhado com os meus seguidores/bloggers, no sentido de estabelecer uma comunicação aos respectivos blogs. Ou porque o tempo é pouco, ou porque estamos lotados de trabalho... Só que isso não é razão da minha ausência, até porque consigo arranjar um tempo para descontrair. É a falta de entrega, falta de concentração, falta de good mood, falta de espírito - sentimentos pessoais nossos. A minha razão que leva a escrever este post é, para de uma certa forma transmitir a vocês, que se eu não estou a estabelecer uma comunicação não é porque esqueci-me de vós ou porque há desinteresse... é mais pelas razões que vos expliquei em cima. Daí, peço desculpa pela minha ausência nos vossos blogs
Assim que tiver com a mente organizada e paz de espírito, irei entregar-me de corpo e alma ao Leves & Ausentes e aos vossos blogs
   
   
Inadmissível...

© Getty Images
  
Quando entro no meu local de trabalho, a primeira coisa que estou á espera de encontrar é uma secretária organizada e limpa - deixada pelo meu colega, uma vez que partilhamos a mesma secretária.
Se quando saio do local e deixo aquilo organizado para o meu colega poder trabalhar em boas condições, assim estou á espera de receber o mesmo tratamento por parte dele. Lógico, não é? O mesmo espero quanto á limpeza do espaço...
Acontece que hoje, neste exacto momento, ando com uma incógnita: se hei-de olhar para o meu colega da mesma forma.
É que encontrar uma pastilha elástica mastigada em cima da secretária, não é fácil de digerir!... E ainda aperceber-me que se aquilo está ali, por esquecimento e sujeira dele, é porque também a senhora das limpezas "decidiu" laurear a pevide.
 
   
"O sonho comanda a vida"
  
  
  
Imaginem que estão muito bem na caminha e de repente começam a sonhar com o vosso emprego. Espectacular! Principalmente quando logo a seguir temos de acordar para trabalhar.
  
Ai, se me pagassem o tempo que sonho com o emprego... estaria rica.
  
   
É preciso uma paciência...

 
Quando o meu colega de trabalho abre a boca é daqueles momentos em que sabemos que vai sair de lá uma bomba. Posso dizer que eu hoje caí na sua rifa - o que não é novidade nenhuma porque acontece-me quase todos os dias. Ele tem uma personalidade muito, muito característica, e que leva a que muitos saiam de lá com uma paciência a esgotar. A verdade é que NÃO É FÁCIL aturar algo do género: quando um dos meus colegas tenta ajuda-lo enquanto ele manda-lhe calar e ser preferível não ser ajudado, quando ele fala connosco e se por alguma razão não estamos a olhar para ele (mas sempre atentos ao que nos diz) faz questão de mandar postas como «Importas-te de me dar atenção?? Se não queres ouvir acabamos já aqui!», quando ele sente que todos estão a conspirar contra ele, quando se por ventura o trabalho não corre bem culpa sempre quem está envolvido, quando a inveja corrói por dentro e diz à chefe «uns são filhos e outros são enteados»... O meu colega é muito individualista e não sabe trabalhar em equipa. O que por vezes choca um bocado connosco. Ontem, tentou toda a tarde saber o nome do meu blog... cá para mim quer é festa, mas desejo-lhe toda a sorte do mundo para o descobrir. Continua a ser boa pessoa, mas quando a minha paciência esgota não consigo evitar um «Onde estão os teus 50 anos?».